Esclerose Múltipła: O Desafio do Preconceito e a Busca por Qualidade de Vida
A esclerose múltipła, uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central, impõe uma série de desafios aos pacientes, desde o diagnóstico até o tratamento e o cotidiano. Segundo um levantamento da Associação Brasileira de Esclerose Múltipła (Abem), realizado com o apoio da farmacêutica Merck e envolvendo 476 indivíduos, uma parcela significativa (60%) dos brasileiros que convivem com a esclerose múltipła já sofreu algum tipo de discriminação. Tal receio de rejeição é tão profundo que metade dos entrevistados opta por não revelar sua condição, seja no ambiente de trabalho ou em relacionamentos pessoais. Além do estigma social, o processo de identificação da doença é frequentemente demorado, com uma média de cinco anos entre o início dos sintomas e o veredito médico, conforme apontado pelo neurologista Guilherme Olival, da Abem. Para aqueles que dependem de tratamentos de infusão, os obstáculos se intensificam, abrangendo desde a logística para receber a medicação até a ocorrência mais frequente de efeitos colaterais.
As manifestações físicas da esclerose múltipła impactam diretamente a autonomia e o bem-estar dos pacientes. A dificuldade de locomoção é o sintoma mais prevalente, afetando 29% dos indivíduos, seguido por tonturas (23%) que comprometem a qualidade de vida, e fraqueza muscular (21%), que também interfere na capacidade de andar. Esses sintomas e as exigências do tratamento têm um peso considerável na rotina diária, levando 60% dos pacientes a desmarcar compromissos pessoais e profissionais, e 51% a faltar ao trabalho ou aos estudos. No que tange às terapias, a pesquisa revela uma preferência acentuada por medicamentos orais (70%), principalmente pela conveniência que oferecem, e também por apresentarem uma menor incidência de efeitos adversos (25,2%) em comparação com as medicações infusionais (26,3%) e autoinjetáveis (54,5%).
A busca por uma melhor qualidade de vida é uma constante na jornada dos pacientes com esclerose múltipła, sendo que 69% são mulheres, e metade delas expressa preocupações sobre o impacto da doença na gravidez. Apesar dos desafios, é encorajador notar que 71% dos pacientes se sentem amparados ao longo de sua convivência com a condição. A experiência dos pacientes de esclerose múltipła ressalta a importência de um ambiente social mais compreensivo e inclusivo, onde o preconceito seja substituído pela empatia e pelo apoio. É fundamental que a sociedade e os sistemas de saúde se unam para garantir diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais acessíveis e uma qualidade de vida digna para todos que enfrentam essa doença.
