A saúde mental de nossos animais de estimação: um olhar aprofundado

A saúde mental dos animais de estimação é uma área que tem ganhado crescente atenção, revelando a complexidade das emoções e comportamentos que nossos companheiros podem apresentar. Este artigo aprofunda-se em como o estilo de vida moderno e a relação com os humanos impactam o bem-estar psicológico dos pets, abordando condições como a ansiedade de separação e a disfunção cognitiva, que, embora distintas da depressão humana, exigem nossa compreensão e cuidado.

Em uma sexta-feira de verão em 2009, o antropólogo Jean Segata testemunhou um caso que transformaria sua pesquisa de doutorado. Em uma clínica veterinária em Rio do Sul, Santa Catarina, uma mulher trouxe sua poodle, Pink, com sinais de apatia, desidratação e um comportamento que a tutora descrevia como depressão. Apesar da descrença inicial da proprietária, que comparava o estado da cadela à depressão humana, exames veterinários confirmaram um quadro de profunda tristeza no animal, descartando outras enfermidades físicas.

Posteriormente, Segata compreendeu que a "depressão" em animais é, na verdade, uma resposta adaptativa. Mauro Lantzman, um especialista em comportamento animal de São Paulo, explica que essa manifestação serve como mecanismo de proteção, levando o animal a um estado de quietude para se recuperar ou lidar com situações que não consegue resolver cognitivamente. Pink, por exemplo, passava a maior parte do tempo sozinha no apartamento, refletindo o impacto dos hábitos de sua tutora em sua saúde emocional. Essa observação levou Segata a intitular sua tese de doutorado de 2012, "Nós e os Outros Humanos, os Animais de Estimação", evidenciando a profundidade dos laços entre pessoas e pets.

A Síndrome de Ansiedade de Separação em Animais (SASA) é um dos distúrbios mais comuns, afetando cerca de 17% dos cães, com uma prevalência ainda maior (acima de 55%) em cães que vivem em apartamentos. Esta síndrome não se limita aos cães; gatos, pássaros, e até animais de fazenda podem ser afetados. Os sintomas incluem vocalizações excessivas, comportamento destrutivo e o que é genericamente chamado de "depressão", que na SASA é um sintoma da síndrome em si. A confusão terminológica é acentuada pelo fato de que os mesmos medicamentos antidepressivos são usados para tratar tanto a SASA quanto a depressão humana, tornando o termo "depressão canina" uma 'ficção útil', como Segata observou, para explicar a condição aos tutores.

Além da SASA, outros transtornos mentais afetam os pets devido à repressão de seus instintos naturais em ambientes domésticos. Gatos, por exemplo, necessitam de exploração e podem ficar irritados e entediados se confinados, afetando seu estado emocional. O isolamento prolongado pode levar à agressividade, uma tentativa de controlar o ambiente por animais inseguros. Motivos adicionais para agressividade incluem defesa territorial, histórico de maus-tratos ou desequilíbrios hormonais. Embora raças como pit bulls e rottweilers sejam mais territorialistas, a criação e o ambiente influenciam significativamente o comportamento. Curiosamente, a agressividade “pura” é rara em animais, diferentemente dos humanos, como aponta Ceres Faraco do Instituto de Saúde e Psicologia Animal.

Comportamentos peculiares também podem surgir, como a coprofagia (comer fezes), que, embora desagradável para humanos, pode ser normal em filhotes para equilibrar a microbiota intestinal ou em mães para manter a higiene. No entanto, em animais bem alimentados, pode indicar compulsividade ou falta de atenção. Outro comportamento preocupante são as lambeduras excessivas que levam a lesões na pele, reminiscentes de roer unhas em humanos, mas com consequências mais graves como dermatites e infecções. Valarie Tynes e Leslie Sinn observaram que essa automutilação é mais comum em cães de grande porte e gatos de bengala, alertando que tais hábitos podem ser um sinal de angústia mental.

A automutilação não é exclusiva de cães e gatos; cavalos também a praticam, especialmente garanhões isolados do rebanho, que podem morder e chutar partes do próprio corpo. A causa ainda é incerta, podendo ser genética ou resultado do isolamento. Veteranos aconselham manter os cavalos socializados, com outros equinos ou até mesmo cães e cabras. Em pets idosos, a Síndrome da Disfunção Cognitiva (SDC), similar ao Alzheimer humano, causa desorientação, perda de memória e alterações de hábitos. Atingindo até 30% dos gatos entre 11 e 14 anos e cães entre 7 e 9 anos, a SDC, embora incurável, pode ter seus sintomas amenizados com estímulos mentais e suplementos, ressaltando a importância da consulta veterinária para um diagnóstico preciso e manejo adequado.

Para prevenir problemas como ansiedade e depressão em pets, algumas práticas são essenciais. Evitar a separação precoce da mãe é crucial; para cães, esperar de 55 a 60 dias antes da adoção é o ideal, pois isso permite a transferência do vínculo materno para o tutor. Oferecer passeios regulares, brinquedos e estímulos contra o tédio é fundamental para gastar energia e manter a mente ativa. Considerar a adoção de mais de um pet pode combater a solidão, especialmente em espécies sociais, com a ressalva de uma introdução gradual para evitar conflitos. Para tutores ausentes por longos períodos, creches para animais ou serviços de cuidadores são alternativas viáveis, garantindo que os pets recebam atenção e interação. Gatos, porém, preferem a familiaridade de seu próprio lar e rotina. Em suma, ajustes na rotina e um ambiente enriquecido podem trazer mais conforto, segurança e alívio para a vida de nossos companheiros animais.

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