O uso de máscaras não prejudica o desempenho físico durante o exercício
A utilização de máscaras faciais, mesmo que possa gerar alguma sensação de incômodo, não apresenta impactos negativos relevantes na capacidade respiratória nem nas funções cardiovasculares enquanto se pratica exercícios físicos, mesmo em níveis de intensidade que variam de moderados a vigorosos. Esta é a conclusão principal de uma pesquisa recente que analisou indivíduos não atletas. Esses resultados desmentem a noção de que o equipamento comprometeria a saúde, especialmente a saturação de oxigênio, evidenciando que o corpo humano possui mecanismos compensatórios eficazes. A pesquisa, que também analisou atletas de alto desempenho, reforça a importância de manter a prática de exercícios físicos com segurança durante o período pandêmico, ressaltando que as máscaras e a atividade física são compatíveis e benéficas para a saúde.
Adaptação Fisiológica ao Uso de Máscaras Durante o Exercício
Pesquisas recentes, conduzidas por especialistas da Faculdade de Medicina da USP, revelam que o uso de máscaras de tecido não afeta de forma significativa o sistema respiratório e cardiovascular durante a prática de exercícios físicos, seja em intensidades moderadas ou elevadas. Esses estudos, que incluíram homens e mulheres não envolvidos em competições esportivas, desmontam a crença de que as máscaras seriam prejudiciais ao afetar a saturação de oxigênio. Ao contrário, os resultados indicam que as alterações fisiológicas são mínimas, principalmente abaixo do esforço máximo, e que o corpo é capaz de se adaptar bem, garantindo os benefícios à saúde proporcionados pela atividade física.
O estudo, que contou com o apoio da Fapesp, demonstrou que, ao utilizar máscaras de tecido com três camadas, os participantes realizaram testes ergoespirométricos sem grandes alterações nas respostas cardiopulmonares. Variáveis como consumo de oxigênio, capacidade respiratória, saturação de oxigênio e acidose no sangue permaneceram dentro dos parâmetros esperados, mesmo em intensidades críticas de exercício. As pequenas perturbações observadas em esforços máximos foram compensadas por respostas fisiológicas do organismo, que se ajustou para manter o desempenho. Os achados são cruciais para reforçar a importância de continuar a se exercitar em segurança durante a pandemia, desmistificando mitos e incentivando a prática de atividades físicas em ambientes fechados com o uso de máscara.
Implicações para a Prática de Exercícios e Atletas Profissionais
Os resultados da pesquisa são fundamentais para orientar novas recomendações sobre a prática de exercícios físicos no cenário pandêmico. A máscara não deve ser um impedimento para as pessoas se exercitarem, uma vez que não compromete os benefícios à saúde e é uma medida essencial para conter a propagação do vírus. A pesquisa demonstrou que não há alterações marcantes nos fatores fisiológicos entre as intensidades moderadas e pesadas, reforçando que o uso de máscara e a atividade física são compatíveis. Para exercícios de alta intensidade, a recomendação é praticar ao ar livre, em locais sem aglomeração, permitindo a retirada da máscara por períodos. Curiosamente, os efeitos foram semelhantes para homens e mulheres, apesar das diferenças fisiológicas entre os sexos.
Além disso, o mesmo grupo de pesquisadores conduziu outro estudo, em parceria com a UFRN, com atletas de alto rendimento. Observou-se que, mesmo nesse grupo, as máscaras não prejudicaram o desempenho, embora houvesse um aumento na percepção de esforço e desconforto. Essa constatação é particularmente relevante para competições como os Jogos Olímpicos, onde a infecção de um atleta pode acarretar grandes prejuízos esportivos e organizacionais. A sugestão é considerar o uso de máscara durante os treinos como uma medida preventiva, pois o impacto no desempenho é mínimo e os riscos de contaminação são reduzidos. Os pesquisadores continuam a investigar os efeitos do uso de máscaras em grupos clínicos e crianças, incluindo aquelas com obesidade, para avaliar a segurança e eficácia em populações mais vulneráveis.
