A Luta Pela Dignidade na Velhice: Vitórias e Desafios
A definição da velhice no contexto da saúde global tem sido um ponto de discússão crucial, culminando em importantes mudanças que buscam garantir a dignidade e combater o preconceito contra os idosos. Inicialmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) propôs a inclusão do termo 'velhice' na Classificação Internacional de Doenças (CID), uma decisão que gerou preocupações significativas. Esta classificação é essencial para a compilação de estatísticas de saúde e para a orientação de intervenções médicas; contudo, a inclusão da velhice como um código poderia levar à perda de informações valiosas sobre as causas reais de sofrimento e morte entre os idosos. Além disso, existia o risco de reforçar o 'idadismo', um preconceito baseado na idade, que teria um impacto negativo profundo na autoestima de uma população que cresce exponencialmente.
A mobilização global para reverter essa decisão foi intensa, com o Brasil desempenhando um papel de liderança fundamental. Um grupo de acadêmicos e representantes da sociedade civil, incluindo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, uniu forças para articular uma objeção formal à proposta da OMS. O esforço coletivo demonstrou que a velhice não deve ser sinônimo de doença ou problema de saúde. Diante da pressão e dos argumentos apresentados, a OMS reconsiderou e, no final de 2021, retirou a 'velhice' da CID, marcando uma vitória significativa para a dignidade dos idosos e para a luta contra o idadismo. Este êxito demonstrou a força da organização e da perseverança em face de desafios aparentemente intransponíveis.
Apesar da vitória na OMS, a batalha contra o preconceito etário e pela promoção dos direitos dos idosos está longe de terminar. A pandemia de COVID-19 expôs e intensificou a prevalência do idadismo, sublinhando a necessidade contínua de defender os direitos das pessoas idosas. O ímpeto gerado por essa conquista culminou na formação do movimento 'Velhices Cidadãs', que busca canalizar essa energia para promover uma agenda intergeracional. Essa iniciativa visa garantir que os direitos dos idosos sejam reconhecidos e protegidos, beneficiando também as gerações mais jovens que aspiram a um envelhecimento com dignidade. O desafio de responder ao envelhecimento ativo e com dignidade em escala global é premente e exige um compromisso contínuo de toda a sociedade.
A busca por uma sociedade que valorize e respeite seus idosos é um imperativo moral e social. A compreensão de que envelhecer é um processo natural e não uma condição médica é fundamental para construir um futuro mais justo e equitativo. Ao promover a inclusão e combater todas as formas de discriminação baseada na idade, abrimos caminho para uma convivência harmoniosa entre todas as gerações, assegurando que cada indivíduo possa vivenciar seu envelhecimento com plenitude, participação e respeito.
