Deformidades Torácicas em Jovens: Impacto e Soluções
A fase da puberdade é um período de grandes transformações para os jovens, tanto a nível hormonal quanto corporal, o que frequentemente afeta a sua autoconfiança. Entre os desafios enfrentados, as deformidades torácicas conhecidas como Pectus, que incluem o Pectus carinatum, popularmente chamado de "peito de pombo", e o Pectus excavatum, ou "peito de sapateiro", são causas comuns de desconforto. Estas condições são malformações congênitas da parede torácica que modificam a forma do tórax e, em alguns casos, podem comprometer o funcionamento de órgãos vitais como pulmões e coração.
Miguel Tedde, pesquisador e cirurgião torácico do Sabará Hospital Infantil, esclarece que tanto o Pectus excavatum (PE), que se caracteriza por uma depressão no peito, quanto o Pectus carinatum (PC), com projeção do osso esterno, são anomalias congênitas resultantes de um crescimento atípico das cartilagens torácicas. Enquanto o PE empurra o esterno para dentro, o PC o projeta para fora. Embora a maioria dos casos seja de origem genética, é fundamental uma avaliação médica para descartar outras condições cardíacas ou pulmonares associadas, embora sejam raras. O diagnóstico pode ocorrer logo ao nascimento em mais de 80% dos casos, mas a deformidade tende a acentuar-se durante a adolescência, especialmente para o PE. Já o PC é mais frequentemente identificado na infância ou no início da puberdade, por volta dos 11 ou 12 anos de idade.
As implicações do Pectus podem ser tanto físicas quanto psicológicas. No caso do Pectus excavatum, os jovens podem experimentar dores, palpitações, infecções respiratórias frequentes, tosse, chiado e fadiga. Em situações mais graves, a compressão do coração e dos pulmões pode ser uma realidade. O Pectus carinatum, por sua vez, não costuma apresentar riscos diretos à saúde, mas ambos podem levar a um menor desempenho em atividades físicas e a uma capacidade pulmonar reduzida. Do ponto de vista emocional, estas deformidades impactam significativamente a autoestima e o desenvolvimento da personalidade dos adolescentes, podendo resultar em alterações psicológicas importantes.
A boa notícia é que existem tratamentos eficazes. Para o Pectus carinatum, a abordagem inicial envolve o uso de compressores torácicos para corrigir a deformidade. Se esta opção não for suficiente, ou em casos de Pectus excavatum, a intervenção cirúrgica é recomendada. Este procedimento consiste na inserção de próteses metálicas, desenvolvidas através de pesquisas no InCor da USP e com apoio da Fapesp, que são moldadas e posicionadas atrás do osso externo para o empurrar para a frente (no caso do PE) ou para o comprimir para baixo (no caso do PC). A cirurgia é realizada por videotoracoscopia, uma técnica minimamente invasiva, que reduz o tamanho da incisão e facilita a recuperação. Após cerca de três anos, com a correção da deformidade estabelecida, as barras metálicas são removidas.
A recuperação pós-cirúrgica é cuidadosamente monitorizada. Nos primeiros dias, o foco principal é o manejo da dor, seguido pela estimulação da movimentação precoce e um retorno gradual às atividades habituais. É aconselhável, no entanto, evitar desportos de contacto para prevenir traumas torácicos. A escolha de um hospital especializado no atendimento pediátrico, como o Sabará Hospital Infantil, oferece um ambiente dedicado com uma equipa multiprofissional altamente qualificada. Isso proporciona uma maior tranquilidade e segurança para o paciente e sua família durante todo o processo, desde a cirurgia até o apoio psicológico, garantindo que as necessidades emocionais e físicas do jovem sejam atendidas de forma acolhedora e segura. O núcleo de atendimento do Sabará Hospital Infantil visa realizar o reparo cirúrgico minimamente invasivo do Pectus com a máxima segurança e eficácia possíveis, assegurando um cuidado holístico e adaptado às especificidades da idade.
