Abordagens Terapêuticas para a Insônia: TCC e ACT em Foco

A busca por uma noite de sono completa frequentemente leva indivíduos à medicalização, mas especialistas ressaltam que, para benefícios duradouros, a mudança de hábitos é crucial. Nesse cenário, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) se destaca como a principal abordagem no tratamento da insônia. Sua eficácia a curto prazo é comparável à de medicamentos, e a longo prazo, supera-os, conforme explica Renatha El Rafihi Ferreira, psicoterapeuta da USP. A TCC integra diversas técnicas que promovem a higiene do sono, como evitar telas antes de dormir e não associar o quarto ao trabalho. Além da TCC, outras psicoterapias, como a terapia de aceitação e compromisso (ACT), também demonstram resultados positivos para o sono e bem-estar mental, especialmente a longo prazo.

Um Olhar Aprofundado sobre as Abordagens Terapêuticas para a Insônia

Uma pesquisa recente, publicada no prestigiado Journal of Consulting and Clinical Psychology, com a colaboração de especialistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Laval, no Canadá, investigou e comparou a eficácia da terapia cognitivo-comportamental (TCC) com a terapia de aceitação e compromisso (ACT) no tratamento da insônia crônica. O estudo acompanhou 227 adultos diagnosticados com o distúrbio, divididos em três grupos: um submetido à TCC, outro à ACT, e um grupo de controle em lista de espera.

Os resultados iniciais indicaram que a TCC ofereceu melhorias mais rápidas para os participantes. No entanto, após um período de seis meses, ambos os grupos terapêuticos apresentaram taxas de resolução do problema de insônia semelhantes. A Dra. Ferreira destacou que as melhorias não se limitaram apenas aos sintomas da insônia, mas também abrangeram reduções nos quadros de ansiedade e depressão, além de um aumento na flexibilidade psicológica dos indivíduos. Um estudo anterior de 2022, na Behavior Sleep Medicine, já havia apontado que 65% dos participantes da TCC e 50% da ACT relataram diminuição da insônia. Embora a taxa de melhora da TCC tenha diminuído ligeiramente para 58% após seis meses, a da ACT subiu para 56%, evidenciando a eficácia comparável das duas abordagens a longo prazo. Assim, a ACT é apresentada como uma alternativa viável para aqueles que não respondem bem à TCC.

A TCC, surgida nos anos 1960, fundamenta-se na ideia de que a insônia é influenciada por fatores de predisposição, precipitação e perpetuação. Ela atua na modificação de padrões de pensamento e comportamento, visando a construção de hábitos de sono saudáveis e a desconstrução de crenças disfuncionais. A reestruturação cognitiva é uma técnica central, focada em refutar pensamentos negativos para superar a insônia. Em contraste, a ACT, desenvolvida no final dos anos 1980, adota uma perspectiva mais abrangente, ensinando os indivíduos a observar seus pensamentos e emoções com consciência e sem julgamento, semelhante à prática do mindfulness. Essa aceitação facilita a identificação e a resolução de dificuldades. A ACT foca na clarificação de valores pessoais e no comprometimento em agir de acordo com eles, promovendo uma vida mais plena e, por consequência, a redução do estresse e da insônia. A principal distinção é que a ACT aborda o indivíduo em sua totalidade, enquanto a TCC se concentra mais diretamente no sintoma da insônia.

A análise aprofundada dessas abordagens terapêuticas para a insônia revela a importância de considerar não apenas a eficácia a curto prazo, mas também a capacidade de sustentar os benefícios ao longo do tempo. A pesquisa de Renatha El Rafihi Ferreira e sua equipe oferece uma visão valiosa sobre como a TCC e a ACT podem transformar a vida de indivíduos que sofrem de insônia crônica, abordando as raízes do problema e promovendo uma saúde mental mais resiliente. Fica claro que a escolha da terapia pode depender das necessidades individuais, mas ambas as abordagens representam um caminho promissor para uma melhor qualidade de sono e vida.

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